Áurea Carolina dobra gastos na Câmara em meio ao caos provocado pela pandemia

De janeiro até agora, deputada federal do PSOL, que é candidata à prefeitura de BH, custou aos cofres públicos quase R$ 1 milhão. São R$ 125.715,67 de cota parlamentar; R$ 446.469,40 de verba de gabinete para contratar funcionário sem concurso e R$ 303.867,00 apenas com seus salários

Foto: Renato Caldas.

Deputada federal conhecida por defender minorias e pregar valores morais e éticos como bandeira de atuação, Áurea Carolina chegou a dobrar as despesas mensais na Câmara Federal, em Brasília, em pleno caos provocado pela pandemia do coronavírus que, além de milhares de mortes, devastou a economia do país, com desemprego e fechamento de empresas. 

Foto; Facebook.

Ao comparar a média de gastos de janeiro e fevereiro, no período pré-pandemia, a abril e maio, durante crescimento de casos e registros de perdas de vidas humanas, os números dobraram. No mês de janeiro, as despesas foram de R$ 14.213,53. Em fevereiro, R$ 18.186,55. Já em março, mês que começou oficialmente a pandemia, decretada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), os gastos foram de R$ 13.694,59. Abril, entretanto, as despesas saltaram para R$ 28.070,34. Em maio, foram de R$ 22.875,50.

A maior parte dos recursos deste item oriundos do pagamento de impostos vai para a manutenção do escritório de apoio da parlamentar em Belo Horizonte, que totalizou R$ 75,190 mil, combustível e locação de veículos, empresa de segurança e propaganda das atividades parlamentares. 

Fatos curiosos: em abril, a deputada e candidata do PSOL à Prefeitura de Belo Horizonte este ano pagou R$ 16 mil para consultoria, pesquisa e trabalhos técnicos. E, em maio, contratou, por R$ 6,8 mil, trabalhos de divulgação de sua atividade parlamentar, que nada mais é propaganda de seu mandato. 

CUSTO TOTAL 
Análise da transparência financeira da Câmara dos Deputados, em Brasília, aponta que de janeiro até o começo do mês de setembro o custo operacional da parlamentar, que é candidata à prefeitura de Belo Horizonte neste ano, foi de quase R$ 1 milhão. Desse valor, R$ 125.715,67 se referem à chamada cota parlamentar, que prevê pagamento de despesas como combustível, aluguel de carros e manutenção do escritório político de apoio da deputada. 

Já, outros R$ 446.469,40 são das verbas de gabinete, que custeiam contratação de funcionários comissionados, ou seja, contratados por indicação política e sem realização de concurso. Já em termos de salários a deputada recebeu total de R$ 303.867,00 de janeiro a setembro deste ano. 


O CASO JOÃO VITOR XAVIER 

Outro parlamentar candidato a prefeito de Belo Horizonte também registrou gastos durante a pandemia, enquanto a maior parte dos segmentos da economia, como comércio, academias, serviços e turismo, estavam fechados ou com severas restrições. 

Balanço da prestação de contas do deputado estadual de Minas Gerais João Vitor Xavier, do Cidadania, aponta gastos de mais de R$ 56 mil com as chamadas verbas indenizatórias em 2020. Candidato a prefeito de Belo Horizonte neste ano, João Vitor Xavier turbinou gastos com propaganda, o que chama o balanço financeiro de seu gabinete. Entre janeiro e fevereiro, por exemplo, o deputado gastou quase R$ 20 mil com este item. Foram exatos R$ 13.649,97 em janeiro e R$ 4.350,00 em fevereiro. Por lei, é permitido que o político use dinheiro público para propagar o que tecnicamente é classificado de “atividade parlamentar”, ou seja, prestação de contas de sua atividade na Assembleia. 

Somente com combustíveis o gasto neste ano foi de mais de R$ 8,3 mil. Em janeiro, por exemplo, o custo declarado foi de R$ 2.142,85. Já em fevereiro, o gabinete consumiu R$ 3.046,17 apenas com despesas em postos de combustíveis. 

O cidadão, por meio de seus impostos, bancou para o deputado despesas de mais de R$ 14,5 mil com locação de veículos para ele e seus assessores circularem por BH. Na média de fevereiro deste ano para os meses anteriores, o valor mensal utilizado por João Vitor Xavier com este item é de R$ 5,8 mil. 

O belo-horizontino, também às custas de seus impostos, possibilitou que o deputado gastasse mais de R$ 8,4 mil com locação de imóveis e demais despesas relacionadas. Já, assessoria e consultoria para o deputado custaram R$ 5 mil. 

CRESCIMENTO EM ANO ELEITORAL 

A intensificação de gastos do deputado em ano eleitoral é comprovada com a simples comparação apenas dos gastos dois primeiros meses deste ano em comparação ao ano passado. Em janeiro de 2019, por exemplo, não consta nenhum gasto do deputado em seu gabinete. Já neste ano foram R$ 25.450,55. Em fevereiro de 2019, foram R$ 15.897,74. Já no mês de fevereiro deste ano, que antecedeu a decretação da pandemia, o gasto declarado foi de R$ 22.415,50.