Debate na CLDF destaca importância da Campanha da Fraternidade

      Versão ecumênica traz o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”





A Câmara Legislativa realizou nesta quinta (25/2) audiência pública remota para debater a importância da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021. De autoria do deputado João Cardoso (Avante), o encontro abordou, entre outros assuntos, os desafios da sociedade diante dos impactos do novo coronavírus. Na ocasião, lideranças religiosas pediram mais união, diálogo e amor incondicional ao próximo.

Com o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”, a campanha foi lançada no último dia 17 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic). O texto-base aborda assuntos como a negação da ciência, o não cumprimento do distanciamento social por parte das igrejas, intolerância religiosa, xenofobia e a violência contra mulheres, negros, indígenas e pessoas LGBTIQ+.

A adesão à campanha não é obrigatória e depende de cada diocese. No DF, a Arquidiocese de Brasília mantém a tradição do evento e pretende difundir o tema nas celebrações e programações da comunidade religiosa local.

"O diálogo deve ir além de qualquer polêmica. A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021 traz um tema importante de fé na vida e na caminhada de uma sociedade", defendeu Dom Paulo Cézar, arcebispo de Brasília.

Responsável pela Campanha da Fraternidade na Arquidiocese de Brasília, Hélio José da Silva prestou solidariedade aos familiares e amigos de vítimas do novo coronavírus e falou sobre os impactos e desafios a partir da pandemia. Para ele, a Quaresma é um momento que exige reflexão e tomada de posições, e defendeu mais união, diálogo e amor no enfrentamento de radicalismos e intolerâncias tão presentes atualmente na sociedade.

"O diálogo exige que reconheçamos que as pessoas sejam iguais", afirmou.

Já o assessor de Assuntos Religiosos da Casa Civil do DF, Kildare Meira, elogiou o tema da campanha e falou da importância do diálogo no momento de tantos antagonismos.

Um mandato para servir


Para o deputado João Cardoso, que é membro do Caminho Neocatecumenal e atuou como catequista por quase 30 anos, a campanha tem a importância de disseminar a compreensão de que o Evangelho prega o amor ao próximo. O parlamentar também destacou que a iniciativa, assim como o tema deste ano, vão ao encontro de sua forma de trabalho ao cumprir pela primeira vez um mandato parlamentar.

"Cristo nos serviu com a própria vida e não pediu nada em troca. Amou incondicionalmente, falava que amava a quem desejava esse amor. Esse é também o lema do nosso mandato. Essa campanha ecumênica se encaixa justamente no meu ponto de vista de que é preciso amar o próximo como a si mesmo, respeitar a individualidade do outro porque Cristo escuta o coração do ser humano e vê a intenção de cada um.", afirmou.

A campanha da fraternidade é realizada desde 1964 pela Igreja Católica em parceria com instituições cristãs. Participaram ainda do debate remoto da CLDF o bispo Dom Marcony Vinícius Ferreira, da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida; e padre Manuel Pérez Candela, da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição (Sobradinho). O evento foi transmitido ao vivo pela TV Web CLDF e pelo canal da Casa no Youtube, e reuniu párocos e fiéis cristãos.


Confira, abaixo, mensagem do papa Francisco por ocasião da Campanha da Fraternidade 2021:


Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Com o início da Quaresma, somos convidados a um tempo de intensa reflexão e revisão de nossas vidas. O Senhor Jesus, que nos convida a caminhar com Ele pelo deserto rumo à vitória pascal sobre o pecado e a morte, faz-se peregrino conosco também nestes tempos de pandemia. Ele nos convoca e convida a orar pelos que morreram, a bendizer pelo serviço abnegado de tantos profissionais da saúde e a estimular a solidariedade entre as pessoas de boa vontade. Convoca-nos a cuidarmos de nós mesmos, de nossa saúde, e a nos preocuparmos uns pelos outros, como nos ensina na parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37). Precisamos vencer a pandemia e nós o faremos à medida em que formos capazes de superar as divisões e nos unirmos em torno da vida. Como indiquei na recente Encíclica Fratelli tutti, «passada a crise sanitária, a pior reação seria cair ainda mais num consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta» (n. 35). Para que isso não ocorra, a Quaresma nos é de grande auxílio, pois nos chama à conversão através da oração, do jejum e da esmola.

Como é tradição há várias décadas, a Igreja no Brasil promove a Campanha da Fraternidade, como um auxílio concreto para a vivência deste tempo de preparação para a Páscoa. Neste ano de 2021, com o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”, os fiéis são convidados a «sentar-se a escutar o outro» e, assim, superar os obstáculos de um mundo que é muitas vezes «um mundo surdo». De fato, quando nos dispomos ao diálogo, estabelecemos «um paradigma de atitude receptiva, de quem supera o narcisismo e acolhe o outro» (Ibidem, n. 48). E, na base desta renovada cultura do diálogo está Jesus que, como ensina o lema da Campanha deste ano, «é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade» (Ef 2,14).

Por outro lado, ao promover o diálogo como compromisso de amor, a Campanha da Fraternidade lembra que são os cristãos os primeiros a ter que dar exemplo, começando pela prática do diálogo ecumênico. Certos de que «devemos sempre lembrar-nos de que somos peregrinos, e peregrinamos juntos», no diálogo ecumênico podemos verdadeiramente «abrir o coração ao companheiro de estrada sem medos nem desconfianças, e olhar primariamente para o que procuramos: a paz no rosto do único Deus» (Exort. Apost. Evangelii gaudium, n. 244). É, pois, motivo de esperança, o fato de que este ano, pela quinta vez, a Campanha da Fraternidade seja realizada com as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).

Desse modo, os cristãos brasileiros, na fidelidade ao único Senhor Jesus que nos deixou o mandamento de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou (cf. Jo 13,34) e partindo «do reconhecimento do valor de cada pessoa humana como criatura chamada a ser filho ou filha de Deus, oferecem uma preciosa contribuição para a construção da fraternidade e a defesa da justiça na sociedade» (Carta Enc. Fratelli tutti, n. 271). A fecundidade do nosso testemunho dependerá também de nossa capacidade de dialogar, encontrar pontos de união e os traduzir em ações em favor da vida, de modo especial, a vida dos mais vulneráveis. Desejando a graça de uma frutuosa Campanha da Fraternidade Ecumênica, envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

Roma, São João de Latrão, 17 de fevereiro de 2021.

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