Caso Lázaro traz à tona medos irreais. Saiba como lidar

(crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Lázaro Barbosa de Sousa, acusado de matar quatro pessoas de uma mesma família em Ceilândia, foi morto em troca de tiros com a polícia na manhã desta segunda-feira (28/6), em Águas Lindas de Goiás. O caso tem sido destaque na imprensa há 20 dias. Além de ter conseguido escapar do cerco policial na região do entorno do Distrito Federal e Goiás por tantos dias, o caso despertou a atenção dos moradores e da população devido ao perfil psicológico do acusado que age de forma fria e cruel.

Perplexidade, revolta e impotência são algumas das emoções geradas na maioria das pessoas diante desse tipo de notícia, mas o sentimento mais comum é o medo que desencadeia insegurança, ansiedade e outras reações negativas. A psicóloga Juliana Gebrim explica que o medo se deve sobretudo ao perfil psicológico do acusado que pode levá-lo a cometer atos violentos. “Podemos afirmar que ele é portador de transtorno de personalidade antissocial, comumente conhecido como psicopatia. Essa análise deve-se à forma como comete seus crimes: com absoluta frieza, não apresentando remorso e nenhum tipo de culpa, além de outros traços de personalidade. Existe prazer em causar sofrimentos às vítimas ao manipulá-las, subjugá-las para alcançar seus objetivos. É comum esse tipo de pessoa causar um rastro de destruição por onde passa”, explica Juliana.

Tais ações cometidas por Lázaro levaram a um medo coletivo. Muitas pessoas se sentiram vulneráveis mesmo estando distante do local onde o acusado está sendo procurado. “Nessa situação, a primeira coisa é identificar se o medo real ou irreal. Se alguém mora muito próximo das áreas de busca, é um medo real. Mas se uma pessoa está distante da região onde o acusado está escondido, isso pode ser um medo irreal, pois a leva a imaginar situações de perigo que não existem”, afirma a profissional.

Para lidar com esse sentimento, ela explica que é preciso identificar o que pode ser controlável ou não diante do medo. “No caso Lázaro, as pessoas têm que buscar formas de controle emocional sobre aquilo que é controlável. Por exemplo, evitar deslocamento até as áreas onde o acusado está escondido é uma forma de controle”, enfatiza a psicóloga.

No entanto, o sentimento de insegurança e medo em algumas pessoas pode desencadear prejuízos emocionais mais intensos, como crises de ansiedade e pânico. “As emoções exacerbadas podem trazer danos, principalmente em pessoas que já tiveram algum tipo de experiências violentas. Ao entrar em contato com notícias sobre casos como o do Lázaro, isso pode disparar o que chamamos de gatilhos emocionais - resposta mental que envolve emoções, pensamentos e comportamentos conectados principalmente a experiências passadas. São memórias de vivência”, explica a psicóloga. 

Uma forma de controlar o emocional nesses casos é evitar o excesso de exposição às notícias a respeito. “Escolha fontes confiáveis para se atualizar. Existem muitas fake news circulando. O excesso de informação sobre o assunto, por vezes incorreta e produzida por fontes não verificadas, pode causar prejuízos emocionais”, finaliza Juliana.