No Carnaval, cuidar do coração também faz parte da folia

 

Carnaval com saúde: cuidado redobrado para curtir a folia com segurança (Foto: Freepik)


Calor, álcool e noites sem dormir aumentam o risco de emergências cardíacas durante a festa; informação e moderação ajudam a prevenir complicações

O Carnaval é sinônimo de alegria, música e celebração, mas também representa um período de atenção redobrada à saúde do coração. A combinação de calor intenso, desidratação, consumo excessivo de álcool, uso de estimulantes, pouco sono e esforço físico prolongado cria um cenário propício para o aumento de atendimentos de emergência relacionados a problemas cardiovasculares.

Segundo o cardiologista do Hospital São Mateus, Neylon Amorim, esse conjunto de fatores funciona como uma sobrecarga para o organismo. “Durante o Carnaval, o corpo é exposto a situações extremas. O coração passa a trabalhar em ritmo acelerado por muitas horas, muitas vezes sem hidratação adequada, alimentação regular ou descanso, o que aumenta significativamente o risco de arritmias, picos de pressão e até infarto”, alerta.

Coração em alerta nos dias de festa

Entre as ocorrências mais comuns nesse período estão as arritmias cardíacas, que se manifestam como palpitações ou batimentos irregulares, crises hipertensivas, insuficiência cardíaca aguda, desmaios e síndromes coronarianas, como angina e infarto. Pessoas com doenças cardíacas prévias estão mais vulneráveis, mas mesmo indivíduos jovens e aparentemente saudáveis podem apresentar eventos graves.

O consumo excessivo de álcool merece atenção especial. Além de ser diurético e favorecer a desidratação, o álcool pode desencadear arritmias, elevar a pressão arterial e reduzir o fluxo de sangue para o coração, principalmente quando associado ao esforço físico e ao calor. “Existe uma relação bem conhecida entre exagero no álcool e alterações do ritmo cardíaco, inclusive em pessoas que nunca tiveram problemas antes”, explica o especialista.

Outro fator de risco importante é o uso de drogas estimulantes e energéticos em excesso, prática ainda comum em ambientes festivos. Essas substâncias elevam a frequência cardíaca e a pressão arterial, aumentam a demanda de oxigênio do coração e podem provocar espasmos das artérias coronárias. A privação de sono, por sua vez, mantém o organismo em estado de alerta contínuo, com níveis elevados de adrenalina, o que também favorece arritmias e outros eventos cardiovasculares.

Para reduzir riscos, atitudes simples fazem diferença: manter boa hidratação, alternar bebidas alcoólicas com água, evitar excessos, alimentar-se adequadamente, respeitar pausas e garantir períodos de descanso. Pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos cardíacos não devem interromper o tratamento durante a folia, mesmo que pretendam consumir álcool.

Alguns sinais não devem ser ignorados, como dor ou pressão no peito, falta de ar intensa, palpitações persistentes, desmaios, tontura importante ou suor frio. Diante desses sintomas, a orientação é interromper a atividade e procurar atendimento médico imediatamente.

“O Carnaval pode e deve ser aproveitado, mas com responsabilidade. Aproveitar a festa respeitando os limites do corpo é a melhor forma de proteger o coração e garantir que a alegria não termine em um susto ou em uma emergência”, conclui Neylon Amorim.

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