Março Lilás reforça prevenção do câncer do colo do útero, um dos mais comuns entre mulheres no Brasil

 

Março Lilás: um lembrete para cuidar da sua saúde (Foto: Freepik)

Oncologista alerta para importância da vacina contra o HPV e do exame preventivo na prevenção da doença

O câncer do colo do útero segue entre os mais frequentes entre as mulheres brasileiras e ainda representa um importante desafio de saúde pública. De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o período de 2026 a 2028, a doença está entre os principais tipos de câncer que mais acometem a população feminina no país, ao lado dos tumores de mama e de cólon e reto.

Para o coordenador da oncologia do Hospital Anchieta Ceilândia, Marcelo Uchôa, a informação e o acesso aos exames são fundamentais para mudar esse cenário. “O câncer do colo do útero é um dos poucos que pode ser evitado com medidas simples. A vacinação contra o HPV e a realização regular do exame preventivo permitem identificar alterações antes mesmo de a doença se desenvolver”, explica.

Apesar da alta incidência, trata-se de um tipo de câncer que pode ser prevenido e, quando diagnosticado precocemente, apresenta altas chances de cura. É esse o principal alerta do Março Lilás, campanha voltada à conscientização sobre a doença.

A principal causa da doença é a infecção persistente pelo HPV (Papilomavírus Humano), um vírus transmitido principalmente por contato sexual. Embora a maioria das pessoas elimine o vírus naturalmente, em alguns casos ele pode provocar alterações nas células do colo do útero que, ao longo dos anos, evoluem para câncer.

Na fase inicial, a doença costuma não apresentar sintomas, o que reforça a importância do rastreamento. Quando os sinais aparecem, podem incluir sangramento vaginal fora do período menstrual, sangramento após relações sexuais, corrimento persistente e dor pélvica.

Prevenção e diagnóstico

O exame preventivo, conhecido como Papanicolau, é a principal ferramenta para detectar alterações nas células antes que elas se transformem em câncer. A recomendação é que mulheres entre 25 e 64 anos, que já iniciaram a vida sexual, realizem o exame regularmente.

“A doença começa de forma silenciosa, sem causar sintomas. Por isso, o exame preventivo é essencial, porque consegue identificar lesões iniciais, quando o tratamento é mais simples e altamente eficaz”, destaca o oncologista.

Outro aliado importante na prevenção é a vacina contra o HPV, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente para meninas e meninos antes do início da vida sexual. Ainda assim, mesmo pessoas vacinadas devem manter o acompanhamento ginecológico e a realização dos exames.

Além disso, hábitos como o uso de preservativo, evitar o tabagismo e manter acompanhamento médico regular contribuem para reduzir o risco da doença.

Altas chances de cura

Quando diagnosticado precocemente, o câncer do colo do útero pode ter chances de cura superiores a 90%. No entanto, o atraso no diagnóstico ainda é um dos principais desafios, muitas vezes relacionado à falta de acesso à informação e aos serviços de saúde.

“O exame é simples, rápido e pode salvar vidas. O mais importante é não adiar o cuidado com a própria saúde e manter o acompanhamento em dia”, orienta Marcelo Uchôa.

O avanço da doença no Brasil reflete, entre outros fatores, o envelhecimento da população e as desigualdades no acesso à prevenção e ao diagnóstico. Por isso, ampliar a conscientização e facilitar o acesso aos serviços de saúde são passos essenciais para reduzir o impacto desse tipo de câncer no país.

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