No Dia Mundial do Paciente Transplantado,
história de superação reforça a importância da doação de órgãos e do acesso ao
transplante renal
Quando Cristian Alves Coutinho recebeu a
notícia de que havia surgido um rim compatível para transplante, mal conseguiu
acreditar. Aos 32 anos, o morador de Primavera do Leste carregava uma
trajetória marcada por desafios que começaram ainda na infância. Após passar
duas décadas dependente da hemodiálise, ele finalmente teve a oportunidade de
recomeçar.
A história ganha ainda mais significado
neste 6 de junho, data em que é celebrado o Dia Mundial do Paciente
Transplantado. Instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a data busca
conscientizar sobre a importância da doação de órgãos e celebrar a vida e a
qualidade de vida conquistadas por milhares de pessoas após o transplante.
Cristian nasceu com problemas renais e
passou por sua primeira cirurgia ainda criança. Aos 12 anos, após uma série de
complicações, perdeu a função renal remanescente e iniciou a hemodiálise. A
partir daquele momento, sua rotina passou a ser definida pelo tratamento.
"Foram muitos anos difíceis. Passei
por internações, enfrentei complicações e cheguei a pensar que nunca
conseguiria sair daquela situação. A hemodiálise me manteve vivo, mas também
limitava muitas coisas da minha vida", relembra.
Mesmo diante das dificuldades, ele seguiu
em frente. Trabalhando como autônomo e contando com o apoio da família, amigos
e da comunidade religiosa que passou a frequentar, encontrou forças para
continuar o tratamento e buscar uma nova oportunidade.
Foi durante o acompanhamento realizado no
Hospital São Mateus, em Cuiabá, que a possibilidade do transplante começou a se
tornar realidade. Pouco tempo após ingressar oficialmente na fila, Cristian
recebeu a notícia de que havia surgido um órgão compatível proveniente de um
doador falecido. O procedimento foi realizado em dezembro de 2025 e marcou o
início de uma nova fase em sua vida.
Hoje, cerca de seis meses depois, o
autônomo celebra uma rotina completamente diferente. Livre da dependência da
hemodiálise, ele voltou a planejar o futuro, retomou atividades que antes eram
limitadas pelo tratamento e passou a enxergar novas possibilidades para a
própria vida.
"Agora posso trabalhar, planejar
minha vida e fazer coisas simples que antes eram muito difíceis. O transplante
me devolveu a liberdade e a esperança", conta.
Uma nova vida após o transplante
Para a cirurgiã da equipe de transplante
renal e responsável pela captação de órgãos do Hospital São Mateus, Michelli
Daltro Coelho Ridolfi, a história de Cristian representa o impacto que o
transplante pode ter na vida dos pacientes.
O caso chama atenção pelo longo período
em que ele permaneceu dependente da hemodiálise. Após duas décadas de
tratamento, o transplante possibilitou uma mudança significativa na rotina e na
qualidade de vida do paciente, que hoje pode desenvolver suas atividades com
mais autonomia.
A médica ressalta que a data comemorativa
também é um momento para reforçar a importância da doação de órgãos e do
diálogo entre familiares sobre o tema.
"O transplante transforma vidas, mas
ele só acontece quando existe a doação. Por isso, é fundamental que as pessoas
conversem com suas famílias sobre esse desejo. Um único doador pode beneficiar
várias pessoas e oferecer uma nova oportunidade para quem aguarda na
fila", destaca.
Referência em transplantes renais
O Hospital São Mateus é atualmente o
único centro médico credenciado em Mato Grosso para a realização de
transplantes renais. A unidade é referência estadual e realiza procedimentos
tanto com doadores vivos quanto falecidos.
A estrutura permitiu que pacientes
mato-grossenses passassem a realizar o tratamento no próprio estado evitando
deslocamentos para outros centros do país e ampliando o acesso a um
procedimento que pode representar uma mudança definitiva na qualidade de vida.
No Dia Mundial do Paciente Transplantado,
histórias como a de Cristian reforçam que o transplante vai muito além de um
procedimento médico. Para quem passou anos dependente de uma máquina para
sobreviver, ele representa a oportunidade de recomeçar, recuperar a autonomia e
voltar a sonhar com o futuro.







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