CaaS avança no varejo e pode ser o próximo passo da fintechização

Com o avanço do CaaS e da orquestração financeira, empresas podem integrar diferentes serviços e fornecedores em suas operações; Adriano Santos, sócio da Evostack, orquestradora financeira, explica como o modelo amplia a autonomia do varejo



O crédito vem ganhando espaço nas estratégias do varejo à medida que empresas buscam novas formas de facilitar o acesso ao consumo e incorporar o financiamento à própria jornada de compra. O CaaS (Credit as a Service) se torna, então, uma oportunidade para fintechs que queiram ampliar os resultados de seus clientes no varejo. Mais do que uma alternativa de pagamento, o crédito passa a ser integrado aos canais das empresas, permitindo que o consumidor encontre opções de financiamento e parcelamento no próprio momento da compra, tanto no ambiente físico quanto no digital.

A tendência já ganhou escala no mercado internacional. O mercado global de embedded lending, modalidade em que o crédito é incorporado à jornada de compra, movimentou US$ 21,5 bilhões em 2025 e deve chegar a US$ 250,9 bilhões em 2033, com crescimento médio anual de 36,5%, segundo a Grand View Research. O varejo foi o principal segmento do mercado em 2025, impulsionado pela busca por acesso mais simples e integrado ao crédito. No Brasil, a lógica do crédito integrado encontra um comportamento de consumo já consolidado. Segundo levantamento da CNDL e do SPC Brasil, 60,1 milhões de consumidores nas capitais tinham compras parceladas em dezembro de 2025, o equivalente a 37% dos consumidores, com média de quatro prestações em aberto. O estudo mostra ainda que o cartão de crédito, o crediário e o cartão de loja continuam presentes na rotina de consumo.

“O consumidor não quer necessariamente contratar um produto financeiro separado. Ele quer resolver a compra. Quando o crédito está integrado à jornada, a empresa consegue oferecer uma solução no momento em que existe uma necessidade concreta, tornando a experiência mais simples e conveniente. Para o varejo, isso também significa ter mais possibilidades para trabalhar conversão, relacionamento e recorrência. Depois do BaaS, vejo claramente que o CaaS é a nova tendência que deve impulsionar o varejo”, afirma Adriano Santos, sócio da Evostack.

Segundo especialistas ouvidos durante evento da Associação Brasileira de Banking as a Service (ABBAAS), o mercado de CaaS e BaaS deve mais que dobrar até 2030, com maior potencial de crescimento para o CaaS. O varejo já está entre os setores mais integrados aos serviços financeiros embutidos, enquanto indústria, distribuidores e parte do mercado B2B ainda estão em fase inicial de adoção.

“O crescimento projetado mostra que o mercado está caminhando para uma maior integração entre serviços financeiros e negócios que já fazem parte da rotina do consumidor. No varejo, isso é especialmente relevante porque o crédito está diretamente ligado à decisão de compra. Com o CaaS, a empresa consegue incorporar essa capacidade à sua operação de forma mais ágil, sem precisar construir uma estrutura financeira do zero. É uma mudança que permite ao varejista ter mais autonomia para definir como quer oferecer crédito e como essa experiência será integrada à jornada do cliente”, conclui Adriano.

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