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| Foto: Magnific |
Após décadas de redução do tabagismo no
Brasil, oncologista chama atenção para novos dispositivos e para a necessidade
de proteger as gerações mais jovens
O Brasil reduziu o número de fumantes nas
últimas décadas. Nas capitais e no Distrito Federal, a prevalência entre
adultos caiu de 15,7%, em 2006, para 11,5% em 2024, segundo o Vigitel,
levantamento do Ministério da Saúde. Agora, a popularização dos cigarros
eletrônicos impõe um novo desafio.
No Dia Nacional de Combate ao Fumo,
celebrado em 29 de agosto, o coordenador da Oncologia do Hospital Anchieta
Ceilândia, Marcelo Uchôa, alerta para essa mudança. A prevenção, antes
concentrada principalmente no cigarro convencional, precisa alcançar também uma
geração exposta aos chamados vapes.
Sabores variados, formatos que lembram
acessórios tecnológicos e a ausência do cheiro característico do cigarro
tradicional contribuíram para uma percepção de menor risco. A aparência
diferente, no entanto, não elimina a exposição à nicotina e a outras substâncias
potencialmente nocivas.
“O cigarro tradicional perdeu espaço na
rotina de parte da população, mas novas formas de consumo ganharam força,
especialmente entre as gerações mais jovens. Os cigarros eletrônicos
proliferaram embalados por uma perigosa percepção de menor risco e por designs
modernos que simulam acessórios tecnológicos”, explica o especialista.
A preocupação ganha ainda mais peso quando
observada pela perspectiva oncológica. Segundo o Instituto Nacional de Câncer
(INCA), o tabagismo está relacionado a diferentes tipos de tumores e responde
por cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão. Também está associado a
cânceres de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo do
útero, entre outros.
Prevenção ganha uma nova frente
No caso dos cigarros eletrônicos, os
efeitos de longo prazo ainda são estudados, mas isso não significa ausência de
riscos. Esses dispositivos podem conter nicotina e outras substâncias
potencialmente prejudiciais, além de favorecer a manutenção da dependência.
O cenário amplia o desafio de evitar que
pessoas que nunca fumaram, especialmente adolescentes e jovens, desenvolvam
dependência da nicotina. Para Marcelo Uchôa, as estratégias de prevenção
precisam acompanhar as mudanças na forma como esses produtos são apresentados e
consumidos.
“O combate ao fumo mudou de cenário. Hoje,
além de manter as ações que ajudaram a reduzir o tabagismo convencional,
precisamos ampliar a informação sobre os novos dispositivos e evitar que uma
geração que talvez nunca começasse a fumar desenvolva dependência da nicotina
por meio dos cigarros eletrônicos”, ressalta.




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