Doença está associada a cerca de 11 milhões de mortes por ano no mundo; reconhecimento dos sintomas e atendimento precoce são fundamentais para reduzir riscos
A sepse é uma emergência médica que ocorre quando o organismo apresenta uma resposta desregulada a uma infecção, podendo provocar alterações no funcionamento de órgãos e levar à morte. Apesar da gravidade, o conhecimento da população brasileira sobre a doença ainda é considerado baixo. Pesquisa Datafolha realizada em 2026, a pedido do Instituto Latino-Americano de Sepse (ILAS), aponta que cerca de 80% dos brasileiros desconhecem a sepse.
A infectologista do Hospital Estadual de Trindade – Walda Ferreira dos Santos (Hetrin), Pâmella Rosa, explica que a sepse pode estar relacionada a diferentes tipos de infecção. “A sepse é uma resposta inflamatória exagerada do organismo diante de algum agente infeccioso, que pode ser uma bactéria, um fungo ou um vírus. Ela pode ocorrer, por exemplo, em decorrência de pneumonias, infecções abdominais e infecções urinárias”, esclarece.
A médica ressalta que a expressão “infecção generalizada”, frequentemente utilizada para se referir à sepse, pode não representar adequadamente o quadro. O problema está na resposta do organismo à infecção, que pode comprometer o funcionamento de órgãos e evoluir rapidamente.
Reconhecimento dos sinais
A identificação precoce dos sinais é fundamental para que o paciente receba atendimento adequado o quanto antes, visto que aproximadamente 80% dos casos acontecem fora do ambiente hospitalar. “Diante de uma infecção, principalmente quando surgem alterações no estado geral, dificuldade para respirar, confusão mental, redução da urina ou piora rápida do quadro, é importante procurar atendimento médico imediatamente. A sepse é uma emergência e o tempo para iniciar o tratamento pode fazer diferença na evolução do paciente”, orienta a infectologista.
O diagnóstico é realizado a partir da avaliação clínica do paciente, considerando alterações como frequência respiratória e cardíaca, além de exames complementares solicitados pela equipe de saúde. “É uma condição de fisiopatologia multifatorial, resultado de uma resposta imunológica do organismo aos microrganismos. Essa resposta pode desencadear uma produção excessiva de mediadores inflamatórios e provocar alterações que comprometem diferentes órgãos”, explica Pâmella.
Segundo a médica, algumas condições podem aumentar o risco de desenvolvimento ou agravamento da sepse. “Como por exemplo, a idade avançada, infância, imunossupressão, câncer, infecção pelo HIV, doenças crônicas a exemplo de diabetes, insuficiência renal e cirrose hepática, além de internações prolongadas e permanência em Unidade de Terapia Intensiva (UTI)”, alerta Pâmella Rosa.




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