Relação entre o candidato à presidência pelo PL e o advogado Willer Tomaz inclui conta conjunta em banco e pagamentos de viagens internacionais
E-mails obtidos pela Polícia Federal (PF) na investigação sobre os descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS indicam que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, teria uma conta bancária vinculada ao advogado Willer Tomaz, alvo de investigação que envolve lavagem de dinheiro desviado de aposentadorias do INSS. A apuração da PF busca esclarecer um esquema de descontos indevidos que pode ter provocado desvios de até R$ 6,3 bilhões dos benefícios de milhões de aposentados.
As informações foram divulgadas pelo UOL, que teve acesso aos documentos da investigação, inlcuindo mensagens trocadas entre o escritório de Willer Tomaz e o banco Santander. Em um e-mail de 22 de maio de 2025, uma funcionária de Tomaz solicitou a retirada da conta identificada como “Flávio Bolsonaro” do usuário administrador vinculado ao advogado. No mesmo dia, o banco confirmou a exclusão.
O e-mail foi enviado quase um mês após a deflagração da primeira fase da Operação Sem Desconto. A Polícia Federal apontou a necessidade de aprofundar a investigação sobre as movimentações financeiras de Tomaz, suas empresas e suas relações com agentes públicos, entre eles Flávio Bolsonaro.
A reportagem também aponta que Flávio Bolsonaro é sócio de uma sociedade individual de advocacia em Brasília, cuja administradora, Letícia Caetano dos Reis, foi apresentada ao senador pelo próprio Willer Tomaz, conforme entrevista concedida à Agência Pública em 2022. O irmão dela, Alexandre Caetano dos Reis, foi alvo da PF por prestar serviços contábeis a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como um dos principais operadores financeiros do esquema.
Flávio Bolsonaro nega ter mantido conta com Willer Tomaz ou com qualquer uma de suas empresas. Em nota ao UOL, afirmou que “toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa” e classificou as informações como tentativas de disseminar notícias falsas em período eleitoral.
A equipe de Willer Tomaz, por sua vez, declarou que a conta mencionada na reportagem nunca pertenceu ao advogado e negou a existência de relação comercial ou financeira entre ele e o senador. A defesa classificou as informações como falsas e afirmou que adotará medidas judiciais cabíveis.
O Candidato do PL, contudo, já reconheceu publicamente manter uma relação de “amizade legítima” com o advogado. Além das viagens, o senador utilizou um jatinho de Tomaz em janeiro de 2025 e um apartamento do advogado em São Paulo neste ano, durante a campanha presidencial.
Já Tomaz, afirma que sua relação com Flávio é exclusivamente de amizade, sem vínculos comerciais ou financeiros, e nega ter criado usuário em nome do senador em qualquer plataforma.
Voos internacionais pagos por empresas do advogado
A investigação também apura se empresas de Willer Tomaz no exterior custearam voos em jatos executivos para Flávio Bolsonaro e familiares em 2024 e 2025, conforme informações reunidas pela Polícia Federal.
Uma das empresas citadas é a Alcazar Holdings, que bancou deslocamentos em uma aeronave da qual possui participação. Em janeiro de 2025, Flávio, a esposa, as duas filhas e o advogado viajaram de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, a Brasília. Tomaz afirmou que utilizou horas correspondentes à sua própria participação na aeronave e que os passageiros viajaram como convidados.
A outra empresa mencionada é a Cathedral Holdings, também sediada em Portugal, que teria pago voos por meio da NetJets, companhia que comercializa cotas e pacotes de horas em jatos executivos.
Segundo a investigação, os deslocamentos integram um conjunto de pelo menos cinco viagens internacionais realizadas por Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz no primeiro semestre de 2025. Entre os trajetos identificados estão voos de Lisboa a Nice, na França, e deslocamentos entre Cascais, Nice e Paris.
Estrutura financeira ligada a agentes públicos
No caso dos descontos indevidos do INSS, a Polícia Federal descreveu empresas e escritórios ligados a Willer Tomaz como um possível “hub financeiro, patrimonial e logístico” colocado à disposição de beneficiários do esquema. As conversas incluem referências a pagamentos milionários, aquisição de imóveis, repasses em dinheiro e custeio de despesas. A PF investiga, ainda, o papel de Tomaz e de empresas relacionadas a ele na estrutura que teria sido utilizada para movimentar recursos.




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