Com 38,5 milhões de informais, especialista explica que trabalhadores por conta própria precisam de planejamento para garantir aposentadoria


 Advogada Marcele Pizzato alerta que o profissional informal pode ficar desamparado em caso de doença e na velhice


Dados recentes do IBGE (PNAD Contínua), divulgados em março de 2026, indicam que a taxa de informalidade no Brasil atingiu 37,5% no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026, o que representa cerca de 38,5 milhões de trabalhadores sem vínculo empregatício formal .


Apesar da ligeira queda em relação a períodos anteriores, o contingente de autônomos, diaristas, motoristas de aplicativo e freelancers segue gigantesco. Muitos desses profissionais, no entanto, ainda desconhecem como garantir a proteção da Previdência Social.


Segundo a advogada especialista em Direito Previdenciário, Marcele Pizzatto, a falta de contribuição é um risco silencioso. “O trabalhador informal precisa entender que, sem a contribuição ao INSS, ele fica desamparado em casos de doença, acidente, maternidade e, principalmente, na velhice, podendo ficar sem uma renda na aposentadoria”, explica.


Contribuinte Individual x Facultativo: Entenda a diferença


Marcele Pizzatto esclarece que o primeiro passo é identificar a categoria correta. “O Contribuinte Individual é aquele que exerce atividade remunerada por conta própria, como os motoristas de app e pedreiros. Já o Facultativo é quem não tem renda própria, mas quer manter a proteção, como donas de casa e estudantes” .


Como fazer a contribuição corretamente


Para garantir direitos como aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade, Marcele orienta a emissão da Guia da Previdência Social (GPS) até o dia 15 de cada mês. “Existem dois planos principais: o plano de 20% sobre o valor da renda, que garante todos os direitos e permite receber valores maiores; e o plano de 11% sobre o salário mínimo (R$ 151,00 em 2026), que é um valor mais acessível, mas limita a aposentadoria a um salário mínimo e impede a aposentadoria por tempo de contribuição” .


Os erros mais comuns e os riscos da informalidade


A especialista lista os principais equívocos cometidos por esses trabalhadores:


1. Contribuir em atraso sem comprovação: Para quem é autônomo, é possível pagar parcelas em atraso, mas é necessário comprovar que estava trabalhando. Já o facultativo não pode pagar atrasado .

2. Escolher o código errado: Usar o código de facultativo quando se está trabalhando pode levar o INSS a negar o benefício por falta de vínculo com a atividade.

3. Esquecer o MEI: Motoristas e pequenos empreendedores podem se formalizar como MEI e pagar apenas 5% do salário mínimo, garantindo acesso a benefícios como auxílio-doença e aposentadoria por idade .


A importância do planejamento previdenciário


Dados do Ipea mostram que apenas 23% dos motoristas de aplicativo contribuem para a Previdência . Para Marcele Pizzatto, o planejamento é a solução.


“O profissional liberal não pode viver apenas o agora. É fundamental fazer um planejamento previdenciário para revisar o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), corrigir baixas remunerações que prejudicam a média do benefício e escolher a melhor regra de aposentadoria. Ignorar isso é aceitar o risco de trabalhar a vida inteira e não ter um amparo financeiro no futuro”, conclui a advogada.


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