Depois de dois mandatos na CLDF, parlamentar do MDB disputa uma das oito cadeiras do DF na Câmara dos Deputados enquanto responde como réu por assédio e importunação sexual; trajetória recente também inclui investigação sobre suspeita de “rachadinha”, acusações envolvendo mulheres e episódio de recusa ao bafômetro.
Daniel Donizet mudou de endereço eleitoral em 2026.
Depois de dois mandatos como deputado distrital, o parlamentar não está buscando permanecer na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Agora, seu objetivo é outro: chegar à Câmara dos Deputados. Donizet concorre a deputado federal pelo MDB.
A mudança coloca uma pergunta inevitável no debate público: o que o eleitor deve considerar sobre os episódios que marcaram a trajetória recente do parlamentar antes de decidir se quer vê-lo representando Brasília no Congresso Nacional?
Não se trata de antecipar condenações. Trata-se de olhar para fatos, investigações, acusações e processos que efetivamente chegaram às instituições públicas.
E existe um episódio especialmente relevante: Daniel Donizet chega à eleição de 2026 na condição de réu em uma ação penal por assédio e importunação sexual.
DA CLDF PARA O CONGRESSO
Levantamentos publicados antes das eleições já indicavam que Donizet não tentaria um terceiro mandato consecutivo como distrital e disputaria uma cadeira federal.
Ele foi eleito deputado distrital em 2018 e novamente em 2022 naquela eleição, pelo PL, com 33.573 votos.
Agora filiado ao MDB, disputa uma das oito vagas do Distrito Federal na Câmara dos Deputados. Mas a tentativa de ascensão política acontece paralelamente a uma trajetória recente marcada por episódios de forte repercussão pública.
RÉU POR ASSÉDIO E IMPORTUNAÇÃO SEXUAL
O caso de maior peso jurídico ocorreu em 28 de abril de 2026.
Por unanimidade, o Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios recebeu denúncia do Ministério Público contra Daniel Donizet.
O deputado passou oficialmente à condição de réu por assédio e importunação sexual.
A acusação envolve duas mulheres que trabalharam para ele na Administração Regional do Gama e em atividades de campanha eleitoral.
Com o recebimento da denúncia, o processo avançou para a fase de instrução, na qual vítimas, testemunhas de acusação e defesa podem ser ouvidas antes do julgamento.
Donizet nega os crimes. Sua defesa afirmou que o recebimento da denúncia não representa julgamento de mérito e declarou que pretende demonstrar a inconsistência das acusações durante o processo.
Mas existe igualmente um fato objetivo: a acusação ultrapassou a fase de simples denúncia pública e passou a ser objeto de ação penal perante o TJDFT.
OPERAÇÃO MELINOE E SUSPEITA DE “RACHADINHA”
A história das controvérsias envolvendo o parlamentar é anterior.
Em dezembro de 2021, Polícia Civil e Ministério Público deflagraram a Operação Melinoe, que investigava suspeitas de “rachadinha” e funcionários fantasmas em gabinete parlamentar da Câmara Legislativa.
Donizet esteve entre os alvos identificados pela imprensa.
A investigação havia começado em 2019 após denúncias envolvendo servidores que, segundo a apuração, assinariam folhas de ponto sem efetivamente exercer suas funções e repassariam parte de suas remunerações.
Durante a operação, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em Goiás.
Aproximadamente R$ 110 mil em dinheiro foram apreendidos durante as diligências.
Donizet reagiu dizendo que as denúncias eram “completamente infundadas”.
A investigação, por si só, não representa condenação criminal.
ACUSAÇÕES ENVOLVENDO MULHERES GANHAM REPERCUSSÃO
Outro capítulo ganhou projeção nacional em março de 2025.
Andressa Urach acusou publicamente Daniel Donizet de importuná-la durante um evento em Porto Alegre.
RECUSA AO BAFÔMETRO E LIGAÇÃO DURANTE ABORDAGEM POLICIAL
Em junho de 2025, outro episódio colocou o deputado novamente no noticiário. Daniel Donizet foi parado pela Polícia Militar nas proximidades do Riacho Fundo I.
Segundo informações divulgadas posteriormente, o parlamentar reconheceu que havia consumido bebida alcoólica anteriormente, afirmou estar em condições de dirigir e recusou-se a realizar o teste do bafômetro. Foi autuado administrativamente pela recusa.
Durante a abordagem, Donizet também telefonou para o deputado distrital Hermeto.
Hermeto confirmou posteriormente que recebeu a ligação e declarou ter orientado os policiais a cumprirem normalmente a legislação.
O episódio também entrou no debate disciplinar dentro da CLDF.
A PRÓPRIA CÂMARA LEGISLATIVA ENTROU NO CASO
A Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Legislativa apresentou representação reunindo diferentes episódios envolvendo Daniel Donizet.
Inicialmente foi defendida uma suspensão de 90 dias.
A Mesa Diretora da CLDF recebeu a representação por unanimidade e sugeriu suspensão de 30 dias, encaminhando a matéria para análise interna.
Posteriormente, entretanto, a Corregedoria recomendou o arquivamento de diferentes pontos por entender que não existiam provas suficientes naquele estágio.
O Conselho de Ética não encerrou imediatamente a discussão. Deputados decidiram solicitar informações ao Ministério Público, ao Tribunal de Justiça e à Polícia Civil antes de deliberar.
E um acontecimento posterior tornou-se particularmente relevante: meses depois, em abril de 2026, o TJDFT recebeu a denúncia criminal referente às acusações de assédio e importunação sexual.
AGORA, O DESTINO É A CÂMARA FEDERAL
Daniel Donizet decidiu não disputar novamente uma cadeira de deputado distrital. Agora tenta chegar ao Congresso Nacional.
O próprio parlamentar apresenta sua candidatura como uma oportunidade de levar nacionalmente políticas desenvolvidas no Distrito Federal, especialmente sua atuação relacionada à proteção animal.
Esse é um lado de sua trajetória pública que também deve integrar qualquer avaliação equilibrada de sua atuação parlamentar.
Mas existe outro lado que não desaparece com a mudança do cargo disputado.
Operação policial.
Investigação sobre suspeita de “rachadinha”.
Acusações envolvendo mulheres.
Representação dentro da Câmara Legislativa.
Recusa ao bafômetro.
E, principalmente, uma ação penal na qual atualmente responde como réu por assédio e importunação sexual.
A PERGUNTA QUE A ELEIÇÃO COLOCA
A mudança da Câmara Legislativa para uma candidatura à Câmara Federal não apaga os episódios anteriores assim como esses episódios não autorizam ninguém a declarar culpado quem ainda não foi condenado.
É exatamente aí que começa a responsabilidade do eleitor.
“Daniel Donizet deixa a disputa pela Câmara Legislativa e agora corre atrás de uma cadeira na Câmara Federal. Mas a mudança de endereço parlamentar também muda a história que o acompanha? Depois de investigações, acusações e episódios de repercussão negativa e estando hoje na condição de réu em uma ação penal por assédio e importunação sexual a pergunta que fica é: se conseguir chegar ao Congresso Nacional, o que será diferente?”
A resposta não pertence à reportagem.
Pertence às instituições responsáveis pelos processos ainda em andamento e, politicamente, ao eleitor do Distrito Federal.
Porque eleição não apaga passado, denúncia não equivale a condenação e candidatura não encerra questionamentos.
Daniel Donizet terá direito a apresentar sua defesa nos tribunais e sua versão à sociedade.
E o eleitor terá o direito de conhecer os dois lados de sua trajetória antes de decidir, nas urnas, se quer ou não entregar ao parlamentar um mandato na Câmara dos Deputados.
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