Movimento nas redes tenta concentrar votos nos dois Gustavos, mas não representa aliança entre as campanhas; candidatos estão em partidos e chapas diferentes

A três dias da eleição, a disputa pelas duas vagas ao Senado em Goiás ganhou um novo movimento nas redes sociais.
Depois disso, apoiadores identificados com a direita começaram a reforçar a dobradinha entre Gustavo Gayer (PL) e Gustavo Mendanha (PRD).
Nesse contexto, a dobradinha Gayer-Mendanha aparece como reação ao debate sobre voto útil entre setores da centro-esquerda. Esse campo passou a discutir apoio estratégico a Zacharias Calil (MDB) e Vanderlan Cardoso (PSD).
O movimento, porém, não representa uma aliança formal entre as campanhas. Gayer e Mendanha pertencem a partidos e grupos políticos diferentes.
Movimento nas redes
A combinação dos dois Gustavos já circulava antes desta reta final.
Em setembro, Gayer afirmou que encontrava eleitores defendendo voto nele e em Mendanha. No entanto, descartou que sua própria campanha estivesse organizando esse movimento.
Agora, com o crescimento da discussão sobre voto útil do outro lado, a dobradinha voltou a ganhar força entre militantes e apoiadores.
A movimentação da esquerda ganhou maior visibilidade depois que a deputada estadual Bia de Lima (PT) defendeu publicamente voto útil em Vanderlan. A parlamentar apresentou a manifestação como uma posição pessoal, fora dos acordos formais da coligação.
Além disso, Zacharias também passou a aparecer em manifestações de eleitores desse campo político.
Segundo voto
Como o eleitor goiano poderá escolher dois candidatos diferentes para o Senado, o segundo voto ganhou importância na reta final.
Por isso, militantes de diferentes campos passaram a discutir combinações entre candidatos.
Do lado da direita, parte dos apoiadores vê Mendanha como alternativa para compor o segundo voto com Gayer.
Ainda assim, esse comportamento nas redes não permite concluir que exista coordenação formal entre os dois candidatos.
Pesquisas ajudam a explicar
Os números recentes ajudam a explicar por que o segundo voto passou a receber tanta atenção.
No Real Time Big Data, Gustavo Gayer aparece com 20%. Na sequência, Zacharias Calil registra 13% e Gustavo Mendanha, 12%. Gracinha Caiado lidera o cenário com 23%.
Já na Quaest, Gayer registra 13%, Zacharias aparece com 12%, enquanto Mendanha e Vanderlan têm 8% cada.
Os levantamentos utilizam metodologias e margens de erro diferentes.
Por isso, os resultados não devem ser tratados como uma série direta de evolução entre institutos.
Mesmo assim, os dados mostram vários candidatos numericamente próximos e ajudam a explicar por que diferentes grupos tentam concentrar o segundo voto.
Disputa nas redes
A dobradinha Gayer-Mendanha também mostra como a reta final ampliou estratégias que não dependem necessariamente das direções partidárias.
De um lado, setores da esquerda discutem Vanderlan e Zacharias como alternativas para o segundo voto.
Do outro, apoiadores da direita passaram a divulgar a combinação entre Gayer e Mendanha.
Dessa forma, a disputa pelo Senado ganhou uma camada adicional de mobilização espontânea nas redes.
No entanto, o tamanho desses movimentos e o eventual impacto nas urnas não podem ser medidos apenas pelas publicações e manifestações online.
Assim, a dobradinha Gayer-Mendanha deve ser entendida, até aqui, como um movimento de apoiadores, e não como uma chapa conjunta entre os candidatos.
Pesquisas citadas
Real Time Big Data
Foram entrevistados 1.600 eleitores entre 17 e 21 de setembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Registro na Justiça Eleitoral: GO-04616/2026.
Quaest/TV Anhanguera
Foram entrevistados 804 eleitores entre 20 e 23 de setembro de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Registro na Justiça Eleitoral: GO-01667/2026.



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